Centrais propõem a Rodrigo Maia fundo de emergência para preservar renda
20/03/2020

Representantes de centrais sindicais informaram que conseguiram apoio do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para criação de um fundo emergencial que garanta emprego e renda a trabalhadores mais vulneráveis durante a crise causada pelo coronavírus. Os presidentes da CUT, Sérgio Nobre, e da Força Sindical, Miguel Torres, entregaram proposta unitária de todas as centrais para a criação de um “fundo de estabilização econômica e social”. A ideia é que o governo invista R$ 75 bilhões do Tesouro Nacional para garantir, nos próximos três meses, renda equivalente a meio salário mínimo para 50 milhões de trabalhadores, evitando aumento do desemprego e da pobreza. Segundo Sérgio Nobre, o presidente da Câmara disse que será criado um grupo de trabalho – com parlamentares e representantes dos trabalhadores e dos empresários – para elaborar um projeto com base na proposta feita pelas centrais.

De acordo com as centrais, que aprovaram documento ontem, dos 94,6 milhões de trabalhadores nos mercados formal e informal, garantir renda a 50 milhões seria suficiente para atravessar o período mais crítico e manter a economia em funcionamento. Outras propostas são aumentar o número de parcelas do seguro-desemprego e de beneficiados do programa Bolsa Família. “A grande diferença entre a proposta das centrais sindicais e as medidas anunciadas pelo governo federal até agora é garantir que o dinheiro vá diretamente para a mão do trabalhador, principalmente o vulnerável (aquele que é informal ou está na linha da pobreza)”, diz o presidente da CUT. Segundo ele, mantendo o consumo, o fundo emergencial vai evitar impactos sociais e econômicos ainda mais graves.

Ele citou estudo do Dieese, segundo o qual, daquilo que é consumido pelos trabalhadores que ganham um salário mínimo pouco mais da metade (51%) volta para o Estado em forma de tributos. “É muito importante essa garantia de salário, porque as pessoas irão consumir alimentos, medicamentos, produtos de relevância para as famílias e esse dinheiro ajudará a economia a girar, esse dinheiro não irá para bolsa de valores. Ativará o comercio e manterá o nível de atividade para a economia.”

Fonte: RBA

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados