Chile reduz em 50% salário de parlamentares e discute agenda de segurança de Piñera
29/11/2019

Depois de mais de 40 dias de protestos e marchas contra a política econômica de arrocho salarial e previdenciário e privatizações, inclusive de serviços públicos, a Câmara dos Deputados do Chile aprovou, por unanimidade, a redução dos salários e outras remunerações dos políticos. Durante 60 dias, eles vão receber 50% dos salários. Ficaram de fora da decisão prefeitos, vereadores e membros do Judiciário e do Ministério Público. Os senadores chilenos, do governo e da oposição também decidiram dar início  a rodadas de diálogo para discutir a onda de violência que afeta o país que começou com uma manifestação contra o reajuste da passagem do Metrô e não parou mais, apesar do presidente do Chile, Sebastián Piñera, ter cancelado o reajuste.

Os chilenos reclamam das condições de vida – muitos não têm dinheiro nem para pagar as contas de água e luz -, da capitalização da Previdência que reduziu o valor dos benefícios dos poucos que conseguiram fazer uma poupança para a velhice a menos de um salário mínimo local (300 mil pesos). Além de recuar no reajuste das tarifas do Metrô, Piñera anunciou um incremento ao valor das aposentadorias, a criação de um teto para os gastos com medicamentos, a redução nas tarifas de energia elétrica e o aumento dos impostos para os mais ricos.

O governo e a oposição do Chile também decidiram convocar um plebiscito para saber se os cidadãos querem uma nova Carta Magna. O plebiscito será o primeiro passo para uma nova Constituição que substitua ou modifique substancialmente a que está em vigor desde 1980 e foi aprovada durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Uma nova Constituição era uma das reivindicações dos protestos que tomaram conta do país desde 18 de outubro e continuam até agora. Nesta semana, Sebastián Piñera fez uma reunião de emergência na tentativa de frear ondas de violência que algumas cidades do país têm vivido, principalmente a capital, Santiago. Ele pediu ao parlamento que aprove iniciativas para reprimir atos de vandalismo e fortalecer a polícia.

Fonte: CUT
Foto: Reprodução Agência PT / Tono Carbajo Fotomovimiento